Município Peso da Régua

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Segurança Rodoviária

Usa o cinto quando conduz?
E o seu filho usa a cadeirinha?
A vida dele é menos importante que a sua?

Os acidentes rodoviários são a principal causa de mortalidade infantil a partir de um ano de idade.
Se quando as crianças têm febre, são rapidamente levadas ao médico, se tentam subir a um banco e se debruçam a uma janela, são imediatamente repreendidas, então por que razão os pais portugueses são tão negligentes quando se trata do aspecto mais crítico da segurança dos seus filhos?
Esteja atento às indicações que reunimos nesta publicação e que lhe poderão ser muito úteis...


O que diz a lei?

Código da Estrada
ARTº 55º

Transporte de crianças em automóvel

1- As crianças com menos de 12 anos de idade e menos de 150 cm de altura, transportadas em automóveis equipados com cintos de segurança, devem ser seguras por sistema de retenção homologado e adaptado ao seu tamanho e peso.
2- O transporte das crianças referidas no número anterior deve ser efectuado no banco da retaguarda, salvo nas seguintes situações:
a) Se a criança tiver idade inferior a 3 anos e o transporte se fizer utilizando sistema de retenção virado para a retaguarda, não podendo, neste caso, estar activada a almofada de ar frontal no lugar do passageiro;
b) Se a criança tiver idade igual ou superior a 3 anos e o automóvel não dispuser de cintos de segurança no banco da retaguarda, ou não dispuser deste banco.
3- Nos automóveis que não estejam equipados com cintos de segurança é proibido o transporte de crianças de idade inferior a 3 anos.
4- Nos automóveis destinados ao transporte público de passageiros podem ser transportadas crianças sem observância do disposto nos números anteriores, desde que não o sejam nos bancos da frente.
5- Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de 120€ a 600€ por cada criança transportada indevidamente.

Portaria 311-A/2005
ART 2.º
Obrigatoriedade de instalação de cintos de segurança

Os automóveis ligeiros devem estar providos de cintos de segurança ou de sistemas de retenção aprovados nos lugares do condutor e cada passageiro, contudo, exceptuam-se da obrigatoriedade da instalação daquele acessório:
a) Máquinas, tractocarros e motocultivadores.
b) Nos bancos da frente: os automóveis ligeiros de passageiros e mistos matriculados antes de 1 de Janeiro de 1966 e os restantes automóveis ligeiros matriculados antes de 27 de Maio de 1990.
c) Nos bancos da retaguarda: os automóveis ligeiros matriculados antes de 27 de Maio de 1990.


Sistemas de Retenção para Crianças (SRC)Cadeira

Os sistemas de retenção para crianças são classificados em 5 grupos:
a) Grupo 0, para crianças de peso inferior a 10 kg;
b) Grupo 0+, para crianças de peso inferior a 13 kg;
c) Grupo I, para crianças de peso compreendido entre 9 kg e 18 kg;
d) Grupo II, para crianças de peso compreendido entre 15 kg e 25 kg;
e) Grupo III, para crianças de peso compreendido entre 22 kg e 36 kg.

A cada grupo corresponde a um intervalo de peso. Apesar de este ser o factor preponderante, aquando da escolha da cadeira mais adequada, deve-se também ter em conta a idade e a altura da criança.

Grupos 0 e 0+
Até 10 kg (dos 0 aos 9 meses) e até 13 kg (dos 0 meses até 1 ano), respectivamente.
Estas cadeiras devem ser instaladas no sentido inverso ao da marcha do veículo, com as costas viradas para a frente do automóvel. A criança fica presa com o cinto da cadeira e esta é mantida no lugar através do cinto de segurança de três pontos de fixação. As cadeiras deste grupo não podem ser colocadas no banco da frente se o carro tiver airbag para o passageiro. Em caso de acidente, aquele pode ser activado e bater na cadeira com muita intensidade, o que poderá ser fatal para a criança.

Grupo I
Dos 9 aos 18 kg (dos 9 meses aos 4 anos). Estas cadeiras são instaladas no sentido da marcha do automóvel, no banco de trás, e presas com o cinto de três pontos de fixação. Por uma questão de segurança, e desde que a cadeira o permita, é aconselhável mantê-la de costas para a estrada, desde que a criança esteja confortável.

Grupos II e III
Dos 15 aos 36 kg (dos 3 aos 12 anos). Neste grupo, estão os assentos que elevam a criança, para que possa ser presa com o cinto de segurança do automóvel. Sem esta elevação, o cinto fica na zona do pescoço, o que poderá magoar a criança em caso de acidente ou travagem brusca. Regra geral, os modelos têm, além do assento, um apoio traseiro com protecções laterais, que conferem maior segurança em caso de colisão lateral e são úteis caso a criança adormeça durante a viagem. Por esta razão, são desaconselhados os assentos elevatórios que não têm aquelas protecções.


Quais os SRC mais seguros?
Antes de o adquirir, certifique-se que o mesmo se encontra homologado de acordo com o REGULAMENTO 44 ECE/UN, uma vez que só neste caso cumpre os requisitos técnicos de segurança.

 

Exemplo de uma marca de homologação:

 

Exemplo de uma marca homolgação


O sistema de retenção que comporta a marca de homologação acima ilustrada, é um dispositivo do tipo universal, que pode ser montado em qualquer automóvel; pode ser usado para o grupo de massa dos 9-36 Kg (grupos 1 a 3) e foi homologado nos Países - Baixos (E4) com o número 03 2439. O número de homologação indica que a homologação foi concedida de acordo com as prescrições do Regulamento relativo à homologação dos sistemas relativo à homologação dos sistemas de retenção para crianças a bordo de automóveis.


Pais e Filhos

A negligência dos pais ao transportarem os seus filhos sem qualquer protecção conduz a situações dramáticas, das quais todos posteriormente se lamentam.
Quando os veículos são cada vez mais seguros e possuem um grande número de airbags , ABS, ESP, etc, é irresponsável e criminoso transportar as crianças sem qualquer protecção.

Vejamos algumas desculpas típicas dos pais:

“A minha criança viaja sem cadeira mas a mãe agarra-a ao colo e segura-a.”
Num choque contra uma barreira fixa a partir de 10-20 km/h o “segurar” é impossível.
Uma criança de 10 kg num choque a 50 Km/h “pesa” cerca de 200 kg, ou seja, 20 vezes o seu próprio peso. Por outro lado, é conhecido que uma criança não é um adulto em miniatura. Proporcionalmente a um adulto a cabeça é muito maior e a coluna, durante os primeiros anos de vida está em processo de ossificação, o que, por outras palavras, significa que as crianças são muito mais frágeis que os adultos.

“Viajando no banco de trás não há problema, porque em caso de acidente os bancos amortecem.”
Falso por três razões:
- Os bancos dos automóveis não suportam forças muito elevadas e podem ceder,
- A criança ao deslocar-se e colidir violentamente com o banco da frente sofre desacelerações muito superiores àquelas que sofreria se fosse na cadeirinha. As acelerações são a principal causa de morte nos acidentes de automóveis e não os ferimentos “com sangue”.
- Num choque frontal existe uma grande probabilidade da criança “passar” entre os bancos e ir colidir com o pára-brisas. Nos choques laterais a criança choca violentamente com as portas. Em situações de capotamento, a criança pode ser projectada do carro e ser esmagada, ou, permanecendo no interior do carro, sofrer, por exemplo, lesões irreversíveis ao nível da coluna, o que significa ficar paraplégica ou tetraplégica e passar o resto da vida numa cadeira de rodas. Estudos de acidentologia demonstram que, se a criança viaja na cadeirinha ou banco (consoante a idade) e com os cintos correctamente colocados, a probabilidade de ser projectada em caso de acidente é reduzida em 96%. Obviamente, os 4% restantes são acidentes de grande violência.

“Pára que eu não tenho cinto... E tive mesmo de parar.”
Ou seja, desde que as crianças sejam consciencializadas para a forma como as transportamos, elas próprias exigem a sua segurança.

A viagem de casa para o infantário é muito curta, eu conduzo com muito cuidado e não vale a pena. Só nas grandes viagens é que ponho a cadeirinha.”
Contrariamente ao que a maioria das pessoas pensa, a maior parte dos acidentes com crianças ocorre em distâncias curtas e, em muitas das situações (cerca de 30%), perto de casa. Na estrada não dependemos de nós próprios e o acidente ocorre, muitas vezes, quando menos se espera.

“O meu problema é que o meu filho não quer ir na cadeirinha, e prefiro que vá à solta, do que vá o tempo todo a chorar.”
As crianças são uns seres maravilhosos e interessantíssimos que passam a vida a pôr os pais à prova. Às refeições, quando não se querem vestir, quando não querem ir à escola ou quando não querem sair da escola. O mais interessante é que nestas situações os pais geralmente não cedem. Então porque razões muitos dos pais cedem quando está em causa a segurança dos seus filhos? Se a criança viajar com a cadeirinha adequada e com os cintos postos, reduzem-se em 70 a 80% as consequências de um acidente. A cadeirinha é, tal como o seu quarto, um espaço da própria criança que, desde que seja educada nesse sentido, nunca mais larga.
Desde o nascimento até aos 12 anos ou até 150 cm de altura, o sistema de retenção é obrigatório. E se tiver protecções laterais ainda melhor. Os cintos dos automóveis são projectados para adultos. Lesões abdominais são drasticamente reduzidas pela utilização do “banquinho”.

“Como já tem 6 anos já não usa a cadeirinha, vai no assento do carro com o cinto posto. “
Desde o nascimento até aos 12 anos ou até 150 cm de altura, o sistema de retenção é obrigatório. E se tiver protecções laterais ainda melhor. Os cintos dos automóveis são projectados para adultos. Lesões abdominais são drasticamente reduzidas pela utilização do “banquinho”.


Airbag no veículo

As crianças com idade inferior a 3 anos só podem ser transportadas no banco ao lado do condutor se:
-Não existir airbag;
-O airbag estiver desligado – através de dispositivo de origem previsto para o efeito;
-O airbag tiver sido desactivado pelo representante da marca, através de autorização do I.M.T.T.

 Warning  Aviso
Advertência para a não utilização do SRC virado para trás conjuntamente com o Airbag


Não arrisque...

Transportar uma criança num automóvel sem o respectivo sistema de retenção é um comportamento irresponsável que, em caso de acidente ou travagem brusca, pode ter consequências fatais.
É também uma contra-ordenação grave punida por lei com coima e sanção acessória de inibição de conduzir.
Lembre-se, mais uma vez, que uma colisão a 50 Km/h, se a criança não for transportada em sistema de retenção apropriado, pode equivaler a uma queda de um terceiro andar.


O melhor do mundo são as crianças!
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre,
bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está
indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor,
quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as
danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca


                               Fernando Pessoa


Um projecto Escola Segura, promovido pela GNR do Peso da Régua, com o apoio do Município do Peso da Régua e do Agrupamento de Escolas do Peso da Régua.